sexta-feira, janeiro 28, 2022

Como o cenário político influenciou os juros

07/05 – Luciane Norberta para Notícias Contábeis do Contabilidade na TV*

A taxa de juros é um mecanismo utilizado pelo Banco Central para manter a inflação, que é o aumento dos preços, sob controle. Entre os fatores que contribuem para a subida ou descida dos juros estão decisões políticas, decisões dos grandes empresários, investimentos no país e a confiabilidade atribuída às empresas brasileiras por instituições internacionais para risco de investimento. A seguir, faremos uma breve retrospectiva dos acontecimentos dos últimos meses, ligando esses acontecimentos aos seus respectivos impactos na economia.
1. Análise do Cenário Econômico
Grandes empresários recorrem a profissionais para avaliarem o cenário econômico de um país antes de investir, a fim de garantir o retorno de seus investimentos. Após o escândalo de desvio de verba na Petrobrás ser continuamente veiculado pela mídia nacional e internacional, empresas de investimento rebaixaram a nota do Brasil para investimento, demonstrando uma configuração econômica instável, fazendo os investidores pensarem duas vezes antes de aplicar seu capital e afugentando aqueles que já haviam aplicado no país. O resultado dessa fuga de investidores foi a perda de empregos, uma vez que as empresas de capital estrangeiro precisavam cortar gastos para evitar o prejuízo.
2. Consequências para a Economia
O cenário político causou implicações econômicas que foram sentidas pela população. Além da perda de empregos, as empresas envolvidas na Lava-Jato têm dívidas que, segundo a imprensa, superam R$ 100 bilhões e por estarem sob investigação, não poderão firmar novos contratos com órgãos públicos. O maior risco desse cenário é a perda do investimento feito nessas empresas, causando prejuízo altíssimo para os bancos. A Petrobrás e as grandes construtoras são responsáveis por 2,8% das riquezas que são produzidas no país. Se a Petrobrás deixa de gerar riqueza, toda a cadeia de empresas envolvidas no ciclo de produção, transporte e distribuição também serão afetadas. 
3. Taxa Selic, Inflação e Poupança
Selic é a abreviação para a sigla Sistema Especial de Liquidação e Custódia, um sistema computadorizado que o Governo utiliza, o qual é monitorado pelo Banco Central. A Selic é definida através de reuniões do COPOM (Comissão de Política Monetária), que decide a quantidade de dinheiro em circulação e a taxa de juros da economia. A taxa Selic é um mecanismo para conter a inflação, uma vez ela aumenta, o preço das mercadorias sobe, induzindo as pessoas a consumir menos, fazendo os preços diminuírem. Esse aumento também faz com que se poupe mais, pois produtos com preços altos não são tão atrativos, recorrendo assim à poupança, cujo rendimento está diretamente ligado a essa taxa e aos títulos públicos, também com rentabilidade atrelada a Selic. Os títulos públicos funcionam como arrecadadores de recursos para o governo, além dos impostos, proporcionando recursos para investir em saúde, educação, estradas e hospitais.
Entretanto, o aumento da Selic tornando os preços mais elevados fará com que a produção seja menor, uma vez que os produtos não estarão sendo vendidos com a mesma frequência de antes. Essa situação fará com que a empresa não tenha o mesmo lucro, tomando medidas para diminuir os gastos, sendo o corte de funcionários uma das opções para manter-se no mercado. Assim, o aumento da taxa Selic pode deixar o trabalhador vulnerável. Dessa forma, ela sofre aumento, os preços sobem, as pessoas compram menos e poupam mais, recorrendo à poupança e títulos públicos, aumentando o capital disponível para o investimento governamental, a mercadoria sobra, os preços caem, as pessoas voltam a comprar e a taxa retrocede, para manter as empresas e empregos. Esse mecanismo de controle da inflação é fundamental para garantir o poder de compra do trabalhador e assegurar o desenvolvimento do país.
Com a crise político-econômica que se instaurou no país, esse mecanismo não conseguiu segurar a inflação e o desemprego, pois com o desvio de verba da Petrobrás, a dívida das empreiteiras, o rebaixamento do Brasil para investimentos e a fuga dos investidores do país, as empresas precisaram cortar pessoal para manter-se funcionando. As pessoas não conseguiram ainda se recolocar no mercado de trabalho por ser uma situação comum a diversas empresas, o seu poder de compra está comprometido e o governo está com déficit na arrecadação por causa dos desvios, precisando aumentar impostos para continuar investindo nos setores sociais, pagando salários e distribuindo as verbas entre os estados e municípios.
Diante do que foi apresentado, observa-se que somente uma política econômica não é capaz de conter os juros no País, é necessária uma ação conjunta com políticas que permitam o desenvolvimento e estimulem a capacitação da população para que situações como essa não levem a economia de um país à estagnação.
*Luciane Norberta – Estudante de Recursos Humanos

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