quinta-feira, janeiro 20, 2022

Empresas do Ibovespa perdem R$ 249 bilhões

21/06 – Quem se assusta com a queda de mais de 20% do Ibovespa não acompanha de perto alguns papéis do principal índice acionário da bolsa brasileira, que chegam a cair mais de 80% no ano. Ontem, a bolsa fechou com uma pequena alta, de 0,67%, depois de ter caído 4% pela manhã na ressaca do dia anterior em que foram registradas perdas com o anúncio de que o banco central americano irá reduzir a compra de títulos.

Mas a valorização registrada foi insignificante para recuperar os quase R$ 249 bilhões que perderam em valor de mercado as empresas que compõem o principal índice de ações do Brasil.
Os exemplos mais claros de perdas são duas empresas que estão sob a batuta do megaempresário Eike Batista: OGX e MMX. Só a OGX perdeu R$ 11 bilhões de quanto valia no início do ano e vale agora menos de R$ 3 bilhões. Os papéis da petrolífera acumulam queda de 81,96%, enquanto as ações da mineradora têm recuo de 73,26% em 2013. Mas não se limitam às empresa X. A companhia de energia Eletropaulo perde 62%, a de logística LLX, 58%, a telefônica Oi, 50%.
Para especialistas, as companhias do grupo X tendem a manter as atuais posições, uma vez que são afetadas pela falta de confiança dos investidores . Esse cenário só seria revertido se as empresas, muitas delas ainda pré-operacionais, entregassem resultados satisfatórios, algo prometido desde as respectivas aberturas de capital.
No ranking das maiores desvalorizações deste ano, depois de OGX e MMX, está a Eletropaulo, afetada pela Medida Provisória (MP) 579 – que trata da renovação das concessões de energia elétrica e da redução das tarifas de energia elétrica -, a B2W, preterida pelos investidores em função dos problemas de logística enfrentados no final do ano passado e início deste ano, e Lupatech, afetada pela política de preservação de caixa, e consequentemente redução de investimentos, da Petrobras, sua principal cliente.
Contudo, a forte valorização do dólar frente às demais moedas mundiais joga luz em alguns papéis que ainda não figuram na lista das ações que mais caíram em 2013. É o caso da Gol, bastante afetada pela alta da divisa americana. “As companhias que têm custos atrelados à moeda americana tendem a ser prejudicadas, tal como a Gol. Além do financiamento das aeronaves ser feito via leasing, aproximadamente um terço dos custos da empresa vem do combustível (QAV)”, explica Felipe Martins Silveira, analista da Coinvalores.
Além da Gol, a Sabesp que tem um endividamento alto em dólar – do total, aproximadamente 27% da dívida foi contraída na divisa americana e 10% em iene -, redes varejistas que importam produtos também sentem os efeitos negativos da apreciação da moeda dos EUA. “Empresas que têm insumos de algodão importado – como Hering, Hypermarcas e Renner, bem como a Technos – sofrem. Contudo, as três primeiras conseguem repassar aumento de custos mais facilmente uma vez que ticket médio dos produtos é baixo”, explica Marcelo Torto, analista da Ativa Corretora.
Por outro lado, companhias exportadoras podem trazer alento aos investidores que ainda querem se arriscar na bolsa de valores, tais como Embraer, empresas de papel e celulose, empresas do setor alimentício e siderúrgicas. “No topo das beneficiadas está a Embraer, que tem quase 90% receita em dólar e quase nenhum custo atrelado à divisa americana. Ou seja, ela ganha no faturamento e não perde em dívida, diferente das empresas de papel e celulose que têm esse contraponto”, diz Torto.
Outra empresa beneficiada pelo atual cenário é a Multiplus, já que 60% da receita é em dólar. A lista é acrescida de empresas que fornecem ao mercado doméstico, mas que enfrentam concorrência de empresas estrangeiras, tais como Duratex, Bematech e siderúrgicas. “O produto das concorrentes encarece, beneficiando essas companhias. Muitas, inclusive, conseguem repassar aumento de custos aos clientes”, lembra Luiz Gustavo Pereira, estrategista da Futura Investimentos.
Já o analista da Coinvalores sugere empresas ligadas ao setor de infraestrutura, principalmente porque o governo tem dado sinais claros que aposta nesses investimentos para manter as taxas de crescimento econômico entre 3% e 4% no longo prazo. “Nossa principal recomendação no segmento é Mills. A companhia está exposta a todos os projetos de infraestrutura – portos, aeroportos, rodovias, estádios – por prestar serviços de mobilidade, como gruas e andaimes.”
Pereira, da Futura Investimentos lembra que os investidores precisam avaliar caso a caso, uma vez que essas ações podem apresentar desempenhos expressivos esse ano. “Os aplicadores estão à caça de barganhas. Por isso, podemos ver uma correção técnica do Ibovespa no curto prazo”, completa.
“Índice do medo” dispara; ações desabam no exterior
A reação global à fala do presidente do Fed, o banco central americano, continuou forte ontem. Ben Bernanke havia avisado, na véspera, que a redução dos estímulos monetários começa já neste ano e termina no próximo. Menos dinheiro na economia é sinal de juros mais altos, que concorrem com aplicações em ações – e com qualquer outra aplicação que não seja em juros americanos.
Ontem, o índice que mede a volatilidade do Standard & Poor´s 500, o VIX – conhecido como “índice do medo” -, disparou 23,14% para 20,49. O índice começou o ano em 14,68 e vinha andando de lado e anteontem havia fechado em 16,64.
Os rendimentos dos Treasuries (títulos de dívida soberana dos EUA) de dez anos dispararam seis pontos-base, para 2,42%, as bolsas americanas caíram mais de 2% e as europeias, mais de 3%, enquanto o dólar subiu 0,50% em relação a uma cesta de moedas. A bolsa brasileira chegou a cair 4%, mas fechou em alta de 0,7%.
“Os mercados globais estão muito estressados e investidores estão revendo suas estratégias devido à mudança do cenário com a redução do estímulo nos EUA”, afirmou o operador de câmbio da B&T Corretora Marcos Trabbold.
Duas notícias contribuíram para agravar o cenário: a suposta ameaça do Fundo Monetário Internacional (FMI) de suspender a ajuda à Grécia, publicada pelo site do jornal britânico Financial Times; e preocupações com um “hard landing” da China.
Nos Estados Unidos, o Standard & Poor’s 500 registrou queda de 2,5%, para 1.558 pontos, marcando o maior declínio diário desde novembro de 2011, no dia de maior volume do ano. O índice Dow Jones recuou 2,34 %, para 14.758 pontos e o termômetro de tecnologia Nasdaq caiu 2,28 %, para 3.364 pontos. Todos os 10 setores do S&P 500 fecharam em forte queda, com 94 % das ações da bolsa de valores de Nova York recuando.
O estrategista-chefe de mercado do Ameriprise Financial, David Joy, disse não estar claro se esse padrão continuará. “Dinheiro de pessoas convencidas de que o rali era atribuível ao Fed está saindo do mercado. E a alta do yield (rendimento) dos Treasuries de 10 anos é uma preocupação por ter ocorrido tão rapidamente”, disse ele. “É cedo demais para dizer se isso representa uma oportunidade de compras ou se a fraqueza vai continuar”.
O índice S&P 500 fechou abaixo de sua média móvel de 50 dias pela segunda vez neste ano. Ultrapassar esse importante termômetro técnico da tendência recente dos mercados pode dar força ao movimento de vendas. O índice também fechou abaixo de 1.600 pontos pela primeira vez desde 2 de maio.
Fonte: Brasil Econômico
Escrito por: Léo Luca
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