quinta-feira, janeiro 27, 2022

Fiesp: inovações no mercado financeiro permitem aumento de concorrência e oferta de crédito

Tema foi discutido durante reunião do Conselho Superior de Inovação da Fiesp

Os destaques da pauta do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Fiesp nesta quinta-feira (27/9) ficaram por conta do spread bancário – altas taxas de juros cobradas pelos bancos de seus tomadores de crédito, na contramão da taxa Selic que cede cada vez mais, hoje a 6% ao ano; dificuldade de acesso ao crédito e altas taxas cobradas, principalmente, para pequenas médias empresas e inovações no sistema financeiro.

Convidado da reunião, Fabio Lacerda, gerente técnico do Departamento de Resolução e de Ação Sancionadora do Banco Central (BC), lembrou que a maior incidência de inadimplência ainda está concentrada entre pequenas e médias empresas, o que faz com que as taxas para oferta de crédito sejam mais elevadas para esse público do que para grandes corporações.

“Em 2018, do total de estoque de crédito do Banco Central, 65% foram concedidos para empresas de grande porte. Entre os aspectos que precisam ser tratados, quando se trata de spread bancário, é a redução da inadimplência, aumento da capacidade de recuperação de garantias e redução das assimetrias de informação. Esse conjunto que irá ajudar a criar melhores ofertas de crédito a taxas menores. Além disso, é preciso permitir novos ofertantes, aumentar a concorrência, com uso mais inteligente e extensivo do mercado de capitais como fonte de financiamento”, disse.

Lacerda lembrou ainda de medidas já tomadas pelo BC que beneficiam, principalmente, a pequena e média empresa, como a oferta de garantais, com o registro da duplicata eletrônica e recebíveis de cartão de crédito. “Essa medida serve para quem não tem outras garantais a oferecer que não seja seu próprio fluxo de caixa. Essa opção abre uma janela de maior segurança na análise do risco do crédito concedido a pessoa jurídica”, completou o expositor.

As inovações tecnológicas também são defendidas pelo BC e apontadas como estímulo à competitividade. “Temos de buscar democratização financeira pela via da melhor inovação tecnológica, que é a base para outras inovações, inclusive para novos modelos de negócios que permitam novas formas de oferta de produtos e serviços financeiros. O papel do BC é o de reduzir barreiras e viabilizar o acesso desses novos entrantes no mercado”, de acordo com Lacerda.

Também presente à reunião, Vinícius Carrasco, economista-chefe da Stone Pagamentos, afirmou que “qualquer inovação a ser criada pode ser uma forma de redução de custos e aumento da produtividade. A redução de custos só será resolvida se tiver competição”.

Carrasco exemplificou ao lembrar que a maior inovação existente no mercado financeiro é a regulatória. “A renovação regulatória imposta pelo BC permite maior oferta de serviços bancários por agentes que não são necessariamente instituições bancárias”, destacou.

Outra novidade regulatória é o mercado de open banking, um tipo de plataforma de integração de dados do cliente que, com a sua autorização, ficam disponíveis não apenas para o banco.

O 2º vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, também defendeu acesso ao mercado de capitais para o financiamento e lembrou aos presentes que 70% do investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil vêm da indústria, enquanto que em inovação a indústria responde por 69%. “Somos muito cobrados para aumentar nossa capacidade, mas, para isso, precisamos de acesso ao capital”, alertou.

Na sequência, Renato Corona, gerente do Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia da Fiesp, apontou que o Brasil sofre com o problema de concorrência bancária e que é preciso mais crédito para pequenas e médias empresas.

Por fim, Marcelo Bradaschia, diretor de operações do Laboratório Torq de Inovação, professor e coordenador do curso de fintech da Fundação Getúlio Vargas e fundador da Fintechlab, apontou que a nuvem é também uma ferramenta que permite a entrada de novos players no mercado e que o open banking é um ponto muito importante para garantir a redução da assimetria de informação. “A partir do momento que disponibilizo informação, posso criar outros produtos e plataformas”, avaliou.

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