sábado, janeiro 22, 2022

Inadimplência: como reduzir os impactos?

13/06 – Folha de Londrina

A crise é explícita nos diversos setores da economia. Desemprego, juros altos, economia estagnada, cortes e mais cortes impulsionam a elevação do índice de inadimplentes no País. Diante da situação, a classe empresarial precisa rever as estratégias. Afinal, o desespero pode resultar em atitudes erradas e colocar em risco os negócios.

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina e Região (Sescap-Ldr), Jaime Cardozo, “a questão da inadimplência aumentou nas inúmeras esferas, inclusive dentro das empresas contábeis. Um levantamento apontou que cerca de 60% das empresas contábeis enfrentaram, no ano passado, problema com recebimento de honorários. E este ano, o problema ainda persiste”.

No último trimestre, a atividade de prestação de serviços teve desaceleração próxima dos 5%, com alguns segmentos com queda perto do patamar dos 7%. Indicadores não são favoráveis, requer uma avaliação e adequação.

Uma pesquisa divulgada recentemente pela Serasa Experian mostra que no mês de março o número de inadimplentes brasileiros chegou nos 60 milhões, atingindo a maior marca desde 2012, quando se iniciaram as medições.

 “Em tempos de aumento nos índices de inadimplência é necessário que o profissional liberal esteja atento à real situação de seus clientes e parceiros, reduza custos, otimize a prestação de serviços, avalie cada realidade e tenha versatilidade para se adequar. Pois existem medidas, mas não existem fórmulas”, orienta o advogado e consultor do Sescap-Ldr, Caio Biasi.

Contrato completo
É importante se resguardar de questões legais, como a elaboração de um contrato completo de prestação de serviços, onde esteja delimitado com a maior precisão possível a extensão dos serviços, a forma e o local de execução, as responsabilidades das partes contratantes e contratadas, entre outros aspectos da contratação.

De acordo com o advogado, “é aconselhável que o profissional tente o recebimento do crédito de forma amigável, extrajudicial, por ser mais rápida, menos onerosa, além de permitir maior possibilidade de preservar e manter um relacionamento comercial com o cliente. A cobrança judicial deve ocorrer apenas na impossibilidade de recebimento amigável do crédito, e pode ser feita de duas formas: Juizado especial ou através das Varas Cíveis”, explica Biasi.

Vale destacar que no caso dos profissionais sem contratos de prestação de serviços, uma possível solução é recorrer às cobranças extraordinárias, nais quais terá que comprovar os serviços que efetivamente foram realizados, a sua complexidade para que, se comprovados, possa ser estabelecido valor. Neste caso, conforme Biasi, trata-se de um processo de conhecimento, com dilação probatória bem mais abrangente, o que demanda mais riscos e demora na conclusão do processo.

O Sescap-Ldr recomenda que o empresário indique no contrato a data de vencimento dos honorários, a incidência de multas e juros, deixe claro que o não cumprimento do prazo do pagamento ocasionará a suspensão dos serviços prestados.

Outra dica é ficar atento ao fluxo de caixa. “O cliente em atraso passa a ser um fator de custo, pois o prestador de serviço absorve todo o custo sem consequente remuneração”, ressalta Cardozo.

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