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Inflação pesa nos custos e reduz lucro no trimestre

20/05 – A safra de balanços do começo do ano deixou claro por que a inflação tem tirado o sono dos empresários brasileiros. Com o avanço dos custos e despesas, transformar as vendas em resultado para os acionistas tem sido uma tarefa cada vez mais complicada. Após um recuo de 30% em 2012, o lucro das companhias abertas caiu 12,1% no primeiro trimestre frente ao mesmo período do ano passado, para R$ 14,4 bilhões. O levantamento, feito pelo Valor Data com base nos dados da consultoria Economática, leva em conta os números de 238 empresas não financeiras.

A quantidade de resultados negativos também aumentou: 68 empresas fecharam o primeiro trimestre no prejuízo, número 20% superior ao registrado um ano antes. Entre as empresas que ficaram no vermelho nos dois períodos, 45% aprofundaram as perdas. Na análise dos dados, o Valor optou pela amostra que exclui Petrobras, Vale e Eletrobras (veja os números com as três empresas na tabela ao lado), já que o tamanho desproporcional das três empresas tende a distorcer o resultado geral.
A perda de rentabilidade explica o tombo na última linha do balanço. A receita avançou 11% em relação aos três primeiros meses de 2012, para R$ 234,2 bilhões, mostrando que ainda há um fôlego considerável da demanda. Os custos, no entanto, cresceram em maior proporção, 12,6%, e passaram a representar 71,9% do faturamento, contra 70,9% e 70,7% nos períodos equivalentes de 2012 e 2011, respectivamente.
O impacto foi ainda maior na linha de despesas operacionais, que subiu 17,8%. A fatia do faturamento restante após esses gastos caiu 1,9 ponto percentual, para 11,9%, e o lucro operacional, antes de juros e impostos, caiu 4,1%, para R$ 27,7 bilhões. O resultado financeiro também pesou. Revertendo a tendência verificada nos últimos trimestres, os gastos com pagamento de juros de dívidas e variação cambial voltaram a subir, com alta expressiva de 29% na comparação anual, para R$ 6,7 bilhões.
Vale ressaltar que, na prática, essas variações tendem a ser até mais acentuadas, por conta de uma mudança na regra de contabilização de joint ventures. Em 2013, o resultado das controladas em regime de associação passou a entrar no balanço pelo método de equivalência patrimonial e não linha a linha no balanço. Nada muda no lucro, mas, em alguns casos, há variações em receita, custos e despesas.
A tendência de queda nas margens de lucro começou a aparecer com mais força na segunda metade de 2011, em meio ao cenário de crescimento econômico fraco e aumento de preços. Neste começo de ano, no entanto, o movimentou respingou até mesmo sobre as empresas de bens de consumo, que até então vinham conseguindo repassar os custos aos consumidores, valendo-se do cenário de desemprego baixo e alta da renda disponível.
O volume de vendas de cerveja da Ambev caiu 8,2% no primeiro trimestre frente ao mesmo período de 2012, sinalizando que o consumidor está mais seletivo na hora das compras. O lucro da companhia ficou praticamente estável, com leve alta de 1,2% na comparação anual. Na mesma linha, o presidente da fabricante de alimentos BRF afirmou que o mercado “está com dificuldades em absorver volumes”.
O presidente da rede de farmácias BR Pharma, André Sá, também disse a investidores que esse foi o trimestre mais desafiador desde a abertura de capital, em junho de 2011. “Março foi o mês que mais sentimos a queda de clientes como reflexo da situação econômica”, afirmou o executivo, que enfrentou um prejuízo de R$ 6,9 milhões nos três primeiros meses do ano.
O desempenho das elétricas também ajudou a puxar o resultado geral para baixo. A forte redução nos preços praticados pelas geradoras que aceitaram antecipar a renovação das concessões e principalmente o salto nos gastos ocasionado pelo acionamento das usinas térmicas derrubaram os ganhos do setor, ainda que os resultados sido menos catastróficos que os antecipados pelo mercado (veja reportagem abaixo).
No geral, no entanto, a temporada de balanços frustrou as expectativas dos investidores, já bastante conservadoras. Cálculos do banco HSBC mostram que os resultados de metade das empresas que compõem o MSCI Brazil – índice utilizado por fundos de investimento passivos – ficaram abaixo do esperado.
Para o ano, as estimativas de lucro médio das empresas que compõem o índice foram reduzidas em cerca de 10%, com recuos concentrados nos setores de materias básicos, saúde e bens de consumo. “Crescimento mais fraco, intervencionismo e custos e inflação em alta são novamente os culpados”, afirmaram os analistas do HSBC, Francisco Machado e Ben Laidler, em relatório.
Investidor reage bem aos resultados das elétricas
Por Claudia Facchini | De São Paulo
A divulgação dos resultados das elétricas no primeiro trimestre deste ano, quando começou a vigorar a Lei 12. 783, que tratou da renovação das concessões, não provocou nenhum desastre na bolsa. O Índice de Energia Elétrica (IEE), que reúne as principais ações do setor, até mesmo subiu na semana passada, após a entrega das demonstrações financeiras de muitas companhias.
O IEE terminou a semana em alta de 1,53%, acumulando em maio uma valorização de 0,92%. As ações ordinárias da Eletrobras, por exemplo, subiram 4,5% na semana e passaram a ser negociadas neste mês com um ganho 0,8%. Mas a arrancada nos últimos dias não foi suficiente para tirar as ações das elétricas do campo negativo em 2013. O IEE ainda apresenta uma queda de 1% neste ano, depois de recuar 11,7% em 2012.
As estrelas do trimestre foram as geradoras, entre elas Cemig, Cesp e Copel, que não aceitaram os termos propostos para renovar suas concessões. As três estatais estaduais ganharam dinheiro com a venda de grandes volumes de energia no mercado de curto prazo em janeiro, quando o preço disparou com a falta de chuvas. O lucro da Cemig foi de R$ 865 milhões nos três primeiros meses, 37% maior que o obtido em igual período de 2012. O ganho da Copel aumentou 25%, totalizando R$ 399 milhões, enquanto a Cesp lucrou R$ 339 milhões, cifra 58% maior.
Outra empresa que encheu os bolsos com a venda de energia no mercado spot foi a Tractebel. A empresa lucrou R$ 425 milhões, 30% mais que nos três primeiros meses de 2012, e é hoje a elétrica com maior o valor de mercado na Bovespa: R$ 23,7 bilhões.
Já era esperado que as companhias que aderiram à renovação das concessões (MP 579) sofressem um forte impacto em seus resultados, como a Eletrobras e Companhia Paulista de Transmissão (Cteep). O lucro da Cteep caiu 65%, para R$ 71 milhões, enquanto a Eletrobras registrou um prejuízo de R$ 36 milhões.
Mas os números não foram tão ruins. As distribuidoras da Eletrobras apresentaram um desempenho melhor que o previsto. No caso da Cteep, o lucro superou em até 60% a previsão de alguns analistas devido aos bons resultados financeiros.
As distribuidoras são as empresas do setor que estão em uma situação mais complicada. A Eletropaulo, a maior delas, fechou o trimestre com um prejuízo de R$ 800 mil. Os sucessivos cortes nas tarifas obrigam as companhias a apertar o cinto. Para a Eletropaulo, em especial, a terceira rodada de reduções tarifárias teve um forte impacto em seu caixa e assustou os investidores. Neste ano, as ações da distribuidora já caíram 52%. Mas, na última semana, os papéis valorizaram 4,3%.
Mesmo a Cemig e a Copel, que tiveram bons resultados na geração, estão enxugando suas estruturas na aérea de distribuição. Segundo o diretor financeiro da Copel, Luiz Eduardo Sebastiani, a estatal vai contratar uma consultoria para otimizar custos e vai reduzir 700 vagas até 2014.
O diretor financeiro da Cemig, Luiz Fernando Rolla, afirmou na sexta-feira a analistas que a estatal espera uma economia de R$ 140 milhões em 2014 com o corte de funcionários que será feito neste ano, quando cerca de mil empregados serão desligados.
Fonte: Valor Econômico / por Fenacon
Escrito por: Natalia Viri
- 20 de maio de 2013
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