quinta-feira, janeiro 27, 2022

Melhora o clima econômico nas maiores economias da América Latina

O Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico (ICE) da América Latina — elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a FGV — melhorou entre julho e outubro, embora continue registrando clima desfavorável com um saldo negativo de 10,7 pontos. A melhora foi puxada pelo Indicador das Expectativas (IE) que passou de um saldo zero para um positivo de 21,6 pontos. O Indicador da Situação Atual (ISA) também registrou uma melhora, mas foi de apenas de 1,7 pontos e permanece negativo, com saldo de 38,3 pontos.

O comportamento do clima econômico da América Latina não coincidiu com o do mundo que piorou, passando de um indicador com saldo positivo para um de saldo negativo (-2,2 pontos). É interessante notar que após julho 2013, o ICE da América Latina tem ficado negativo, exceto janeiro de 2018. Por outro lado, o ICE do mundo ficou positivo no mesmo período, exceto entre outubro de 2015 e outubro de 2016 e, agora, na Sondagem de outubro. O distanciamento dos resultados do ICE da América Latina e do Mundo sinaliza que fatores domésticos na região latina aumentaram o seu peso na determinação do clima econômico da região.

A piora do ICE do mundo não foi uniforme entre as maiores economias do mundo. Enquanto na União Europeia o ICE recua em 10,2 pontos na comparação dos saldos entre julho e outubro, nos Estados Unidos aumenta em 8,2 pontos e no Japão em 11,5 pontos. Observa-se que todas as economias antes citadas registram clima econômico favorável. No caso dos países que compõem o BRICS, todos apresentam clima econômico desfavorável, exceto a Índia, sendo o maior saldo negativo, o do Brasil (-33,8) seguido da África do Sul (-27,0). Em outubro apenas Brasil e África do Sul melhoraram o clima econômico.

Resultados para os países selecionados da América Latina

Os resultados do ICE para os países selecionados da América Latina levam a identificação de dois grupos. O primeiro composto pelas maiores economias da região – Brasil, México, Argentina, Colômbia, Chile e Peru – onde todos registraram melhora no clima econômico, exceto a Colômbia. Em adição, as três maiores economias (Brasil, México e Argentina) mostram clima econômico desfavorável e as outras três, clima positivo. Em outubro, o maior ICE foi o do Chile (44,4 pontos).

No Brasil, o ICE continua negativo desde julho de 2013, com um breve intervalo em janeiro de 2018, quando os principais institutos de pesquisa projetavam crescimento do PIB ao redor de 3% e possível aprovação da Reforma da Previdência. Ao logo dos meses seguintes, o reconhecimento da baixa probabilidade da aprovação da Reforma considerada fundamental para melhorar o déficit fiscal e a divulgação dos resultados do nível de atividade que sinalizavam um crescimento menor que o esperado no início do ano explicam a piora do clima econômico em abril e agosto. Além disso, as incertezas que rondavam a eleição presidencial contribuíram para um clima econômico desfavorável. A partir de setembro, entretanto, foi ficando claro que era quase certa a vitória do candidato com um programa mais afinado com as reformas econômicas, como a da previdência, tributária, privatizações e abertura comercial. Em outubro, com a eleição do novo presidente, o Indicador positivo das Expectativas melhorou e o ISA continuou negativo, mas recuou 10,2 pontos.

Na Argentina, durante o ano de 2017 e até abril de 2018, o ICE era positivo, embora com tendência de queda, desde outubro de 2017. Era esperado que as medidas tomadas pelo governo Macri conseguissem reverter o processo inflacionário e o país voltasse a crescer. No entanto, o colapso da safra agrícola junto com a forte desvalorização da moeda do país levou a uma reversão no sinal do ICE que passou de 10,7 pontos em abril para um saldo negativo de 51,3 pontos, em julho. Em junho o país obteve um empréstimo de US$ 50 bilhões do FMI, mas que não foi suficiente para reverter o quadro negativo da economia. Um novo empréstimo foi negociado no final de setembro, o que ajuda a explicar a melhora nas expectativas que passaram de um saldo negativo de 30 pontos para um positivo em 28,6 pontos o que levou a um recuo do ICE de 17,9 pontos, porém permanecendo com sinal negativo. A avaliação da situação atual piorou e, dadas as condicionalidades do acordo com o FMI, como zerar o déficit fiscal até 2020, o retorno a taxas positivas de crescimento econômico não deverão ocorrer no próximo ano.

Destacamos os casos do Brasil e a Argentina, onde fica clara a influência dos fatores domésticos para explicar a melhora do ICE.
Para a segunda maior economia da América Latina, ressalta-se o término das negociações da revisão do NAFTA (North American Free Trade Agreement) que passou a se chamar United States—Mexico- Canada Agreement (USMCA), no final de setembro. Esse resultado deve ter contribuído para a reversão no sinal do Indicador das Expectativas que passou de negativo (23,5 pontos) para positivo (5,9 pontos) puxando a melhora do ICE, que continua na zona desfavorável.

A melhora do clima econômico no Chile e no Peru foi liderada pelas expectativas positivas. Observa-se que a melhora no Chile se traduziu num aumento na projeção do crescimento do PIB para os próximos 3 a 5 anos, segundo os especialistas consultados pelo Instituto Ifo. Em outubro de 2017, essa projeção era de 3,2% e, agora passou para 3,6%. No caso do Peru foi mantida igual no valor de 3,9%. Na Colômbia, a piora do ICE foi de 2,7 pontos e liderada pelas expectativas que continuam com saldo positivo elevado (62,5 pontos), mas diminuíram em relação à Sondagem de julho. No tocante à projeção do crescimento do PIB, essa passou de 3,4% para 3,3%.

Para o grupo das economias menores, o ICE melhorou para o Equador, Paraguai e Uruguai, mas apenas o Paraguai apresenta saldo positivo. A melhora do Paraguai e Uruguai é influenciada pelos resultados do Brasil e da Argentina, que são importantes mercados para esses países. Na Bolívia, o clima econômico piorou, mas continuou favorável.

Em suma, a melhora do ICE da América Latina está fortemente relacionado aos resultados das 3 maiores economias que juntas explicam 72% do PIB da região.

Por último, a Sondagem de outubro traz o ranking dos principais problemas que os especialistas apontam como obstáculos ao crescimento econômico. São considerados problemas relevantes, os que têm valor acima de 50 pontos e quanto maior a pontuação, mais relevante é o problema. Destacam-se por número de países que consideram os problemas relevantes: falta de inovação (em todos os 11 países selecionados); infraestrutura inadequada (9 países); corrupção (9); falta de competitividade internacional (9); falta de mão de obra qualificada (8); falta de confiança na política do governo (7); demanda insuficiente (7); barreiras ao investimento (7); desigualdade de renda (6); falta de capital (5); clima desfavorável para estrangeiros (4); instabilidade política (5); gerenciamento da dívida (3); barreiras às exportações (2); e, política do Banco Central (2). Os principais obstáculos em quase todos os países, além da corrupção, são questões associadas às políticas de desenvolvimento/crescimento econômico como falta de inovação, infraestrutura e mão de obra qualificada que se refletem na falta de competitividade internacional.

Acesse aqui o press release

Por Portal FGV IBRE

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