No seu segundo dia (25 de outubro), a 12ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente, evento no formato híbrido promovido pelo Ibracon — Instituto de Auditoria Independente do Brasil, apresentou um painel sobre as atualidades das Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS).
Tadeu Cendón, membro do board do International Accounting Standards Board (IASB), apresentou o status dos principais projetos que estão na agenda do IASB e que trarão efeitos para preparadores e auditores nos próximos anos. Dentre os projetos, comentou sobre o Projeto de Demonstrações Financeiras Primárias, cuja finalidade é melhorar a forma com que as informações são comunicadas nas demonstrações financeiras, com foco nas informações incluídas na Demonstração do Resultado. Trata-se de um projeto que responde às necessidades de investidores e trará impactos para preparadores e auditores.
Cendón discorreu ainda sobre o projeto de Instrumentos Financeiros com características de Patrimônio, que ainda encontra importante diversidade de interpretações no mundo. Tratou, também, dos Ativos e Passivos Regulatórios nas concessionárias de serviço público, com a provável volta ao modelo contábil praticado no Brasil antes da adoção das IFRS, especialmente no setor elétrico, embora a proposta tenha potencial impacto sobre outros segmentos.
O gerente de Normas Contábeis da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Osvaldo Zanetti, abordou os projetos em andamento e os novos projetos da CVM. Um exemplo é a minuta das normas, que estão sendo elaboradas em conjunto com o CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis), sobre crédito de carbono e ativos digitais, que têm como objetivo diminuir as divergências da aplicação na prática. Outro é o projeto que pretende definir o que vem a ser um ativo verde.
Rogério Mota e Shirley Silva, respectivamente diretor Técnico e diretora de Desenvolvimento Profissional do Ibracon, ressaltaram a agenda árdua, repleta de muitas demandas do IASB, e o processo complexo para a emissão de uma norma, destacando a contribuição da entidade às audiências públicas, ao oferecer seus pontos de vista.
Eles também apontaram a grande responsabilidade do Ibracon ao oferecer um conteúdo relevante para os associados e o mercado e o investimento em uma agenda de treinamentos para a formação e a atualização dos auditores independentes em relação às normas contábeis.
Editor executivo do Valor, o jornalista Fernando Torres falou do desafio para a imprensa que é a cobertura de um tema tão complexo e da tarefa complexa de traduzir para uma linguagem coloquial como as normas melhoram o ambiente de negócios. Torres enfatizou a atuação da CVM e do CPC à frente de muitos posicionamentos, que colocam o Brasil sempre em evidência nos debates relativos às normas internacionais.
Agenda ESG
O Painel de Líderes — “Construindo a Confiança: O papel da Auditoria Independente na agenda ESG” fechou a programação do evento, propondo um debate sobre um dos temas mais atuais para os auditores independentes. Subiram ao palco do Teatro Claro, na capital paulista, os painelistas Cláudio Camargo, sócio-líder de Auditoria na EY Brasil; Eduardo Flores, membro do Conselho Consultivo da IFRS Foundation; Marcelo Magalhães, sócio-líder de Auditoria e Asseguração da Deloitte; e Rogério Rokembach, membro do Conselho de Administração do Ibracon e sócio-líder de Auditoria na HLB Brasil.
“Os auditores terão papel importantíssimo para emitir opinião sobre as informações ESG divulgadas pelas empresas. O ESG veio para ficar e os auditores devem estar preparados para esse novo ambiente, tanto para auditar informações qualitativas quanto quantitativas”, assinalou Camargo.
Para Magalhães, a temática ESG tem importância, e existe muito ainda a se definir, mas o tema será tão relevante quanto as demonstrações financeiras. “O auditor do futuro deve ser adaptável e estar disposto a mudanças e ter como propósito assegurar as informações ESG e como elas correspondem aos fatos.”
Rokembach ressaltou a importância de incorporar o financeiro no ESG. “Os auditores devem se tornar especialistas para auditar essas informações. Cabe a eles serem protagonistas nessa transformação total do mundo.”
Flores acrescentou que, no âmbito acadêmico, será necessário redesenhar o curso de Contabilidade para adequá-lo às novas tendências e necessidades do mercado.
por Assessoria Viveiros




























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