Pensando e agindo como empreendedores, os contadores vão se enxergar “do outro lado do balcão” e entregar informações mais valiosas ao cliente. Esse foi o resumo das discussões do 9º Seminário de Gestão de Empresas de Serviços do Sescon-SP (Gescon) em 25/11, em São Paulo.
Nas oito palestras do Gescon para uma plateia aproximada de 600 empresários e profissionais contábeis, as discussões giraram em torno de como as tecnologias melhoram a eficiência e o alcance dos serviços contábeis. Mas a principal mudança a ser absorvida pelos contadores é que eles têm que aprender a ser gestores do próprio negócio, reforça o presidente do Sescon-SP, Carlos Alberto Baptistão.
“Aprendemos a ser técnicos, mas temos que aprender a ser gestores. É uma mudança de mentalidade que o contador precisa ter, de se transformar em empresário e agir diferente, fazendo a gestão da própria empresa e cuidar das pessoas e tecnologias”, observa.
Daniel Coêlho, presidente da Fenacon, assinala que o primeiro passo para a mudança é pensar em como entregar melhores serviços ao cliente. “O Gescon trouxe a mensagem de mudar, simplificar, inovar e fazer diferente. O contador tem que ter uma visão geral e pensar ‘fora da caixa’, que é uma preocupação que ele tem que ter como gestor”, disse.
Para o 9ª Gescon, o Sescon-SP trouxe 8 empreendedores de excelência em suas áreas, que compartilharam os desafios e conquistas das suas trajetórias de sucesso: Gustavo Caetano (Sambatech), Walter Longo (Unimark Comunicação), Nelson Luiz Boing (Gestão Contabilidade), Guga Stocco (Futurum.Capital), Tomás Duarte (Track.com), Paulo Carreiro (FBE), e Vitória Oliveira (Connectabil). Luca Sarno, analista de negócios da Endeavor, também integrou o time de painelistas do Gescon.
Outro lado do balcão
Boing, da Gestão Contábil, contou que a primeira experiência que teve como CEO de empresa foi reveladora. Na época, o seu escritório de contabilidade atendia à empresa em questão e foi assim que ele recebeu o convite para mudar de lado.
Quando passou para o “outro lado do balcão”, Boing compreendeu que o bom serviço que acreditava fazer, como contador, não era suficiente para o que ele precisava enquanto gestor. “Aprendi muito do outro lado do balcão. Como contador, entregava relatórios que, para mim, eram satisfatórios. Do outro lado, precisava de números para administrar a empresa e o que eu entregava, como contador, não era suficiente para tomar decisões”, recordou.
A lição aprendida por Boing foi de que era necessário ouvir o cliente que informações ele, de fato, precisava e reunir conhecimentos em gestão e outras áreas. “Comecei a desenhar números, indicadores e informações necessárias que pude levar, mais adiante, como administrador de escritório contábil.”
Experiência de negócio
Unindo a experiência de contador e executivo, Biondi cresceu como empreendedor. Depois de deixar a empresa, ele criou um negócio de contabilidade com estrutura administrativa, dividida em departamentos de marketing, RH e comercial. “Se quero crescer, tenho que buscar conhecimento e aprender a delegar”, ensina.
Seguindo a mesma lógica, Carreiro, da consultoria FBE, explica que uma tendência dominante no mundo dos negócios é que o contador se torne um conselheiro de negócios. “Além de usar tecnologia e saber se comunicar com o cliente, o profissional terá que ser versado em negócios, para prover conselhos estratégicos.”
Inove e construa relacionamento
Em seu discurso sobre inovação, Caetano (Sambatech) disse que a inovação é a arte de simplificar a vida do cliente. Ele citou o exemplo do iFood, que simplificou o processo de pedir e pagar por comida no sistema de delivery. Mas, apesar de a tecnologia ajudar a quebrar pontos de fricção na jornada de compra, Caetano lembra que a marca precisa construir uma boa experiência de consumo e, se necessário, manter algum atendimento presencial.
Uma dica que Caetano compartilhou para inovar em serviços padronizados é começar aos poucos. “Não comece pelo núcleo do negócio, mas em sua volta. Melhore a comunicação, por exemplo. É assim que se começa a mexer o ponteiro da organização”, define.
Nesse sentido, Sarno, da Endeavor, explica que o cliente quer a “hiperpersonalização” de serviços em grande escala, ou seja, a alta personalização de serviços. “As pessoas querem receber a mensagem certa na hora certa, e no canal certo. Se você não fizer isso, alguém vai fazer e conquistar esse mercado.”
Isso porque os clientes não estão mais tão fiéis às marcas, de acordo com o consultor Stocco, da Futurum. Se a marca não entregar boa experiência, as pessoas vão escolher outras experiências de consumo. “Consumidores vão migrar de marcas que eles confiam para agentes em que eles confiam”, resume.
Novo perfil do cliente
Duarte, da Track.com, falou sobre tendências de comportamento dos clientes. Os jovens consumidores, que são o maior público, estão mais interessados em experiências do que em posse de bens. “Eles não querem comprar carro, preferem andar de Uber. Vai haver cada vez mais empresas de serviços de aluguel de carro e outras comodidades”, explica.
Os jovens também estão mais preocupados com ética nos negócios, qualidade de vida e propósito e rejeitam empresas que não praticam esses valores.
Já Longo, da Unimark, disse que o metaverso é a nova fronteira de negócios e está em desenvolvimento acelerado. Nesse ambiente virtual altamente imersivo, as pessoas vão interagir com outras por meio de representações digitais (avatares) e poderão comprar produtos e serviços virtuais e digitais.
Longo explica que hoje o foco das empresas é realizar sonhos. “O novo mantra corporativo é que sonhos estamos realizando para o cliente. Isso explica a importância do metaverso, onde os sonhos podem ser mais bem realizados”, disse.
Empresas também têm clientes internos, que são os colaboradores. Oliveira, da Connectábil, passou algumas dicas de como motivar os funcionários aplicando técnicas de empatia e reconhecimento de esforços. “É tratar os colaboradores da mesma forma como você gostaria de ser tratado”, detalha a CEO.



























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