Artigo escrito por Jorge Segeti*
Depois de um ano sem falar com um amigo, o que nada justifica e já me desculpei, nos encontramos e ele disse que leu o livro “O IMPOSTOR QUE VIVE EM MIM”, de Brennan Manning. Comecei a ler e pelos 3 primeiros capítulos, já recomendo. Com enfoque no autoconhecimento e com o viés Cristão, além de me fazer meditar no impostor que tenho dentro de mim, me fez escrever este artigo.
Iniciei listando o que eu considerava os impostores dos negócios, comecei colocando a pessoa do próprio empresário, com o seu excesso de confiança, colocando os seus dons na hora da gestão acima de tudo, como tratei no artigo “A ciência no mundo empresarial”, ou desânimo e pessimismo generalizados.
Quando me deparei com o “desânimo e pessimismo”, me perguntei o que causa isso no mundo empresarial? O que tira o entusiasmo daquele homem ou mulher que sonhava e brilhavam os olhos, quando falava da sua empresa?
Me lembrei de uma breve história que ouvi, ainda na época da academia.
“Um senhor tinha um pequeno sítio na beira de uma estrada e lá montou uma barraca para vender as frutas e verduras que ele plantava nas suas terras. Logo, virou ponto de parada obrigatório para os viajantes daquela estrada.
Com aquela renda, conseguiu realizar o seu sonho que era mandar seu menino estudar em uma faculdade e vê-lo formado.
Com emprego na cidade grande, o filho visitava o pai nos finais de semana e sempre trazia as novidades do “mundo” e começou a informá-lo.
– Pai, o mundo está em crise! O senhor tem que tomar cuidado e começar a economizar. Não gaste muito dinheiro em novas produções etc. etc.
Assim fez o velho comerciante e a variedade e qualidade de frutas e verduras não era mais a mesma. O sorriso no atendimento já não existia. Assim, o número de clientes diminuiu, até que fechou a sua barraca.
– Filho, você tinha razão, o mundo está em crise.”
O excesso de informações e a sua negatividade, considero hoje, talvez o principal “impostor” do empresariado brasileiro. Não estou defendendo que não se deva estar atualizado e bem informado, muito pelo contrário.
Meu avô dizia, “meus filhos, tudo que te falam deve ser absorvido como comer um peixe, tire as espinhas que te farão mal e coma só a carne”.
Estamos vivendo um momento histórico com a pandemia sanitária, com as influências dos governos nos negócios, como nunca existiu em momentos democráticos, “não pode abrir”, “não pode ter este tipo de negócio que gera aglomeração”.
IMPORTANTE: temos que obedecer às recomendações médicas.
Mas, enquanto uns estão reclamando, outros estão se adaptando e até ganhando mais que anteriormente.
Para que nos serve acompanhar diariamente o número de infectados e as perdas humanas se você não é da área que pode ajudar em alguma coisa? O que adianta ficar entrando em discussões políticas, científicas, entre outras, se não está no seu alcance no dia a dia.
O que é importante para o seu negócio? O índice BOVESPA, a cotação do dólar, a briga EUA e China, os próximos presidentes do Congresso ou o atendimento adequando ao seu cliente, a inovação no seu produto e serviço, a rápida adaptação às novas necessidades e realidades?
Eu chegava da faculdade por volta da meia noite em casa e nesta época minha avó morava conosco, um dia ela veio me informar toda agitada que os jornais da noite só estavam falando de uma grande queda da Bolsa na China e que isso iria afetar o mundo todo no amanhecer. Perguntei por que aquilo estava lhe preocupando. Ela disse que não sabia, mas se todos estavam preocupados ela também estava e, por isso, não conseguia dormir.
Quantas vezes não agimos como a minha avó? Quantas vezes deixamos de ver o nosso negócio crescer, por ouvirmos coisas que não estão nem um pouco ligadas ao nosso dia a dia.
Como para Brennan Manning existe um impostor dentro de nós, afirmo que o empresário deve ficar atento para se livrar dos impostores que sabotam a criatividade, o entusiasmo, os objetivos e fazem acreditar em coisas que não sejam a nossa realidade, entre elas, as informações não selecionadas.
*Jorge Segeti – CEO da Segeti Consultoria, vice-presidente da Associação das Empresas Contábeis de São Paulo – AESCON-SP e diretor técnico da Central Brasileira do Setor de Serviços –CEBRASSE



























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