Muito em breve, dúvidas sobre regras contábeis e legislação fiscal poderão ser respondidas pelo Lukka, assistente virtual inteligente (AVI) que está em fase de testes no SkyLab, laboratório de inovação da Fundação Fipecafi. O Lukka, a exemplo da Alexa (Amazon) ou o Siri (Apple), é um software de inteligência artificial e machine learning que responde com linguagem natural a comandos de voz ou texto, sobre conteúdo contábil e fiscal.
Marcelo Souza, coordenador do SkyLab, explica que o Lukka é um projeto pioneiro e nasce, inicialmente, com objetivos educacionais. “Para os estudantes de contabilidade, o Lukka vai ajudar na parte do Exame de Suficiência, tirando dúvidas ou realizando quiz (sessão de perguntas e respostas) sobre tópicos determinados. Também vai auxiliar na formação complementar, olhando o perfil de interesse do aluno e direcionar caminhos”, detalha.
Previsão de lançamento
Em linhas gerais, a programação do Lukka envolve apreensão de conteúdo específico e algoritmos de aprendizado, assinala Souza. Dessa forma, o assistente virtual da Fipecafi será capaz de responder a uma mesma pergunta feita de várias formas. “Ele será capaz de fazer tudo o que a tecnologia permite, mas não vai emitir opiniões. Ou seja, ele tende a ser mais efetivo do que afetivo. Vamos conversar em linguagem natural e ele vai aprender a responder adaptando-se ao modelo de cada pessoa.”
A previsão é que o Lukka esteja disponível para os alunos no primeiro semestre de 2023, na plataforma interna da faculdade. O assistente virtual foi batizado em homenagem ao frade e matemático italiano Luca Pacioli, criador do método das partidas dobradas no século 15. Sua teoria inovou a forma de fazer registros comerciais no mundo e lhe deu o reconhecimento como o Pai da Contabilidade.
Outras aplicações
As aplicações do Lukka são abrangentes. Em uma fase posterior, o assistente virtual será usado para analisar relatórios de ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança), conta Souza. Embora o AVI já seja capaz de capturar informações de sustentabilidade das empresas na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), ainda é preciso parametrizar o algoritmo para que ele detecte padrões e qualifique a relevância das informações.
Souza afirma que o volume de dados captados pelo Lukka soma quase 20 mil páginas de demonstrativos ESG de 130 empresas, sendo que boa parte dos dados são imagens (40%). “Além de ler e interpretar texto, o AVI terá que interpretar imagem. Por exemplo, os relatórios de sustentabilidade mostram lindos campos verdes e pessoas em comunidades. Isso, em si, não é ruim, mas o algoritmo vai buscar padrões de publicação e a interpretação será feita com base na expertise da Fipecafi”, comenta.
A partir de 2024, o coordenador acredita que a ferramenta virtual estará pronta para fazer análises mais precisas sobre as práticas de sustentabilidade empresarial. “Por conta do amadurecimento dos relatórios de ESG, deveremos ter, até o fim do próximo ano, 400 empresas divulgando relatório. A partir de 2024 isso deve ser constante, por conta da obrigatoriedade de publicação periódica.”
Questionado se o Lukka vai ser um concorrente para os analistas de mercado, Souza é categórico em afirmar que não. “O Lukka é um assistente virtual. Ele vai apontar inconstâncias em informações nos relatórios, para que os analistas possam acessar e analisar. Até porque, é difícil para um analista ler 20 mil páginas de relatórios”, conclui.



























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