terça-feira, janeiro 25, 2022

Mercado de trabalho dá sinais de fraqueza e preocupa governo

26/06 – Mais do que qualquer manifestação popular nas ruas das grandes cidades, o foco de maior atenção do Palácio do Planalto é o nível de emprego formal do País. Uma luz amarela foi acesa nos últimos dias no terceiro andar do Planalto, onde despacha a presidente Dilma Rousseff. Depois de sustentar o crescimento e a popularidade presidencial praticamente sozinho, o mercado de trabalho brasileiro dá os primeiros sinais de fraqueza.

De posse dos dados consolidados de criação de vagas com carteira assinada referentes ao mês de maio e com as estimativas para junho, o governo já trabalha com o cenário de que o primeiro semestre de 2013 terminará com a criação de aproximadamente 650 mil vagas com carteira assinada. Este é o dado revisado por técnicos ao Estado de S. Paulo – internamente, o cenário de emprego formal trabalhado no governo prevê a criação de 710 mil postos formais.
Se confirmado, o saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) dos primeiros seis meses de 2013 terá sido 30% inferior ao de igual período do ano passado e menos da metade daquele registrado nos anos de 2008, 2010 e 2011, na mesma comparação. De toda a gestão do PT no governo, o resultado que se desenha para o primeiro semestre de 2013 no mercado de trabalho terá sido melhor, apenas, que o registrado em 2003 e 2009, anos de crise econômica.
Na última sexta-feira (21), o Ministério do Trabalho oficializou os dados de maio – apenas 72 mil vagas foram criadas no mês passado, pior resultado da série histórica.
Lentidão. Na visão do governo, o emprego formal neste ano sofre o efeito defasado da desaceleração econômica iniciada no fim de 2011. A relativa fraqueza do primeiro semestre de 2013 é uma resposta aos dois anos consecutivos de lentidão na economia, associados a um aumento do custo do trabalhador – diante da falta de qualificação da mão de obra, problema sempre apontado por empresários, os salários sobem para aqueles qualificados.
As dificuldades seriam maiores hoje, avaliam os economistas oficiais, não fossem as diversas e sucessivas intervenções feitas pelo governo. A gestão Dilma Rousseff já anunciou 20 pacotes com medidas de estímulo à economia, distribuídos em incentivos aos investimentos e ao consumo das famílias. Como afirmou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, em entrevista ao Estado de S. Paulo no último dia 17, todos os pacotes buscaram preservar a renda dos brasileiros e o nível de emprego na economia.
Crescimento. Segundo o governo, o ativismo dos últimos anos evitou que o mercado de trabalho fosse contagiado pela desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) – que saiu de um avanço de 7,5% em 2010 para meros 0,9% em 2012. Neste ano, o próprio governo já trabalha com uma expansão da economia de, no máximo, 3%.
O entendimento do Palácio do Planalto é de que a melhora na economia, que tende a ganhar força no segundo semestre caso as concessões de rodovias, aeroportos, ferrovias e portos efetivamente saiam do papel, deve estimular as empresas a contratar mão de obra. Neste cenário, o Caged começaria a reagir entre o fim do ano e o início de 2014.
A partir de janeiro do ano que vem, o benefício da desoneração da folha de pagamentos será estendido a 15 setores, que se somarão aos 42 segmentos da economia que já contam com estímulo. Com uma folha de pagamentos mais barata, o empresário terá um incentivo para aumentar o número de pessoal ocupado.
Fonte: O Estado de S. Paulo / por Estadão
Escrito por: João Villaverde
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