A China continua a liderar a contribuição para o aumento do superávit da balança comercial, que chegou a US$ 44,4 bilhões no acumulado do ano até julho (Gráfico 1 do Press Release). Observa-se, porém, que, em todos os principais mercados analisados, houve aumento no saldo positivo ou redução do déficit. Nesse último caso, destaca-se os Estados Unidos, com uma redução de US$ 2,2 bilhões no déficit do Brasil com esse país.
Na comparação interanual do mês de julho, as exportações aumentaram, em valor, 31,4% e as importações, 53%. No entanto, o aumento em valor nas exportações é atribuído exclusivamente ao aumento nos preços, 44,9%, pois o volume exportado recuou em 9% (Gráfico 2 do Press Release). Nas importações, preços e volume cresceram, mas a variação no volume importado superou 19,6 pontos percentuais a dos preços. Ao longo dos três últimos meses, houve uma tendência de desaceleração nos volumes transacionados, embora menos acentuada para as importações.
O aumento nos preços de exportações em relação ao das importações se traduz na melhora dos termos de troca, que cresceram 27%, desde julho de 2020, onde se identifica a tendência de alta nos preços das exportações (Gráfico 3 do Press Release) . Em julho o índice dos termos de troca foi de 125,9, abaixo do pico da série, 132,2, em outubro de 2011. Se compararmos, porém, a média dos índices em 2011, 127,4, com a média de janeiro a julho de 2021, 124,0, o resultado de 2021 se aproxima do ano do “super ciclo das commodities”.
A tendência de alta nos preços das commodities continua e na comparação interanual do mês de julho entre 2020 e 2021, o aumento foi de 62,6%, enquanto houve queda no volume de 16,4% (Gráfico 4 do Press Release). Para as exportações de não commodities, a variação do volume supera a dos preços, mas o aumento de 16,4% na comparação dos meses de julho, sugere que pressões inflacionárias também passam para as não commodities, onde a presença de produtos intensivos em recursos naturais é elevado no Brasil.
Os resultados por tipo de indústria, em termos de volume, mostram que nas exportações, o aumento de volume na comparação interanual mensal e do acumulado do ano até julho só ocorre na indústria de transformação. No caso das importações, aumentos de dois dígitos estão presentes na indústria extrativa e de transformação (Gráfico 5 do Press Release).
O aumento das importações chama a atenção, pois sinaliza expectativas positivas em relação à melhora da demanda para as indústrias (Gráfico 6 do Press Release). Em especial, no caso da indústria de transformação, o aumento de 38,8% e de 28,9% na comparação interanual mensal e no acumulado do ano até julho é um indicador do aumento da atividade no setor. O índice para a compra de bens de capital pela indústria de transformação influencia o resultado do acumulado no ano pelas mudanças no regime REPETRO que levaram à internalização das plataformas. Se desconsiderarmos as plataformas as compras de máquinas e equipamentos para a indústria estão próximas a da agropecuária.
O aumento no volume exportado pela indústria de transformação no ano foi liderado pelas vendas de bens duráveis de consumo associado ao setor automotivo (Gráfico 7 do Press Release). Em julho, foi registrada a menor variação interanual mensal entre 2020 e 2021 o que é explicado pela queda das vendas de automóveis para a Argentina, 42,2% em valor, embora tenham aumentado as vendas de partes e acessórios de automotores. Nas importações a liderança também ficou com os bens duráveis de consumo, mas diferente das exportações, o volume registrou aumento de 64,8% (Gráfico 8 do Press Release).
A participação da China nas exportações brasileiras foi de 32,6% em julho e no acumulado do ano até julho de 34,2%. As exportações desaceleram seu crescimento nos últimos três meses e registraram aumento de 15,2% ente julho de 2020 e 2021. Nessa mesma base de comparação, as exportações para os Estados Unidos aumentaram 75,6% e para a Argentina 54,1%. Na comparação do acumulado do ano até julho, o aumento para as vendas na China foi de 34,1%, nos Estados Unidos, 39,7% e na Argentina, 52,7%.
O Gráfico 9 do Press Release mostra a variação no volume exportado para mercados selecionados. Os resultados mostram que o bom desempenho em valor para a China é explicado pelo preço das commodities. Ressalta-se que soja e minério de ferro explicaram 71% das exportações brasileiras para a China, em julho. Nesse mesmo período, o aumento no preço exportado do minério de ferro foi de 125% e da soja, 32,5%.
O aumento em valor para os Estados Unidos foi acompanhado de variações positivas no volume exportado. Entretanto, também contribuiu a elevação de preços do minério de ferro, principal insumo nas exportações de produtos semi-acabados de ferro e aço, principal produto na pauta de exportação para os Estados Unidos, em julho.
Para a Argentina, em julho foram registrados aumentos de 3 dígitos para produtos siderúrgicos listados entre os dez principais produtos de exportação do Brasil para esse país.
Na análise do volume importado, países asiáticos e latinos lideram com as maiores contribuições para o aumento do valor importado (Gráfico 10 do Press Release). Para os Estados Unidos, o resultado é de recuo na comparação do acumulado do ano e de um aumento de 1,4% entre julho de 2020 e 2021. Em termos de valor, as importações oriundas dos Estados Unidos aumentaram 60% na comparação interanual do mês de julho. Entre os dez principais produtos importados, alguns como propano, aeronaves, gás natural e polímeros cresceram com taxas acima de 100%. Nesse caso, conclui-se que os preços de importações dos Estados Unidos crescem relativamente mais do que para os outros principais parceiros. Resultado confirmado pelos Índices de Preços do ICOMEX, descritos no Anexo. Enquanto no acumulado do ano até julho, a variação de preços de importações foi de 2,4% para a China e 8,7% para a Argentina, para os Estados Unidos foi de 17,7%.
Por último, a análise por setor CNAE mostra que 13 setores registraram variação positiva no volume exportado e 18 no volume importado, entre julho de 2020 e 2021. Destaca-se que o aumento máximo nas exportações foi do setor de máquinas e equipamentos, 40,2%, seguido por produtos de borracha e farmoquímicos. No caso das importações, o primeiro lugar foi na fabricação de máquinas (125,4%), seguido de móveis (105,5%), produtos de borracha (87,8%) e farmoquímicos (87,8%). A coincidência de aumentos em alguns setores sugere intercâmbios associados ao comércio intraindústria. Ver as tabelas do Press Release.
Consideração final
O mês de julho repetiu as tendências observadas nos meses anteriores: exportações lideradas pelo aumento de preços e as importações por variações de volume. Observa-se, porém, uma desaceleração no volume exportado liderado pela queda nas exportações para China e, em menor intensidade nas importações. Para os próximos meses esperamos que o ritmo de crescimento do comércio se reduza.



























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